sábado, 28 de janeiro de 2012

AS EMAS DO RIO GRANDE DO NORTE QUE CÂMARA CASCUDO DISSE QUE NÃO EXISTIA

Texto, fotos e vídeo: Lenilton Lima








Em Materia publicado na Tribuna do Norte no “Fascículo 4 - Massacres no Rio Grande” que se refere à Ema no Brasão Holandês do Rio Grande.

Á reportagem cita as afirmações do historiador potiguar Câmara Cascudo sobre a não existiam das aves aqui no Rio Grande do Norte e atribui o desenho do pássaro no Brasão Holandês ao chefe indígena Jandui que por ser aliado dos holandeses ganha a homenagem do Conde Mauricio de Nassau.
Jandui ou Nhanduí siguinifica, A Pequena Ema.

Em 2007 eu, Lenilton Lima e a antropóloga Jussara Galhardo fomos a Assú/RN com a missão mapear duas comunidades e colher assinaturas dos caboclos açuenses que requeriam da FUNAI o reconhecimento de suas comunidades como de origem indígenas.

Sempre que chegamos ao Banguê nós nos dirigimos à casa de João Brabo de 86 anos, ele é um dos moradores mais antigo da localidade.

Nesse dia ele falou sobre os remédios que seu povo tirava da mata e dos animais que o seu pai e os moradores mais antigos caçavam.

Logo que ele começou a falar sobre a existência das emas no Banguê, me vem na lembrança da publicação do jornal Tribuna do Norte onde Câmara Cascudo contestava a existência dessas aves aqui no nosso Estado.

Algumas duvidas me vem.

Como Jandui um índio Cariri nascido no Rio Grande do Norte recebe o nome de uma ave que não tinha no Estado?

No depoimento do Senhor João, ele afirma que no final dos anos 40 ainda existia emas nas matas de Assú/RN.

Diante desse impasse estou postando o vídeo de seu João Brabo contando as historias das emas do Rio Grande do Norte que Cascudo disse que não existia.










sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

PEDUBREU Canta Boi Tungão de CHICO ANTÔNIO

Espetáculo do PEDUBREU na sede do TEART na Ribeira –Natal/RN
Vídeo: Lenilton Lima
Texto: Gláucio Teixeira

O PEDUBREU, é uma espécie de "TecnoCoco", um movimento, que se apoia na promoção primitiva dos costumes e tradições populares, como: Bambelô, Capoeira, Cocos, Poesia, Teatro, Romances, Folguedos e Cordéis, fundidos com a musicalidade Techno. Além de estudar ícones e influências musicas. Mestre Ambrósio, Cabruera, Cordel do Fogo Encantado, Jacksom do Pandeiro, Elino Julião, Alceu Valença.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Boi de Reis Estrela do Norte

Imagem: Lenilton Lima
 

                             Apresentação no 5º Festival de Reis de Zabelê/PB


Mestre Pirralhinho comanda o Boi de Reis Estrela do Norte do bairro dos Novais em João Pessoa na Paraíba.

Nas suas andanças já foi brincante do Cavalo Marinho do Mestre Gasosa de Bayeux/PB como Dama e do Cavalo Marinho de seu pai o Mestre João do Boi no qual se destacou no papel do Mateus.

Como agente cultural deu sua contribuição como um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da Paraíba.

sábado, 14 de janeiro de 2012

SAMBA DE COCO RAÍZES DE ARCOVERDE


Vídeo: Lenilton Lima




Coco Samba de Raízes de Arco Verde

Longe do litoral, onde primeiramente floresceu nas mãos de escravos, o coco-de-roda chegou ao Sertão de Pernambuco. Amaciado pela viagem, o ritmo incorporou elementos indígenas e indícios de tradições sertanejas, mas conseguiu manter o toque sincopado e a dança envolvente que caracterizam a versão litorânea. Em Arcoverde, o grupo Coco Raízes tornou-se o grande expoente dessa nova roupagem do ritmo, que se expressa por letras singelas, batida marcante e melodias de timbre sibilante.


Iniciada por Lula Calixto, ferrenho defensor da cultura popular sertaneja, a saga do Coco Raízes representa o apego do povo às tradições e o esforço desmedido para preservá-las. Mas é também a história de afeto entre duas famílias que se uniram em torno do ritmo. Nas mãos dos Gomes e Calixtos, o coco não é apenas uma batida de pandeiro ou uma dança, é uma aliança, um modo de vida. Primos, tios, pais e filhos, todos são irmãos na hora de sambar.
Uma noite inesquecível

Bem-aventurados os convidados à grande celebração do coco. No Alto do Cruzeiro, onde se situa a sede do grupo, é sempre tempo de comemorar. Basta chegar um visitante para que a recepção seja calorosamente armada. Tudo começa com um tímido repicar de trupé, que contagia o bombo hipnótico de Biu Neguinho e culmina com a abertura da pista para as vistosas bailarinas e afinadas cantoras.

A cada dia, o Coco Raízes seduz mais fãs. São pessoas sedentas de louvação pela cultura popular, que se encantam com a simplicidade e autenticidade do grupo. Desde a gravação de uma faixa na coletânea do Pernambuco em Concerto, o Coco deslanchou e passou a realizar várias apresentações em Recife, todas prestigiadas por um grande público que se formou na capital. Os dois CDs - Raízes de Arcoverde e Godê Pavão - gravados até hoje testemunham do incansável fôlego da caravana, que não parou nem vai parar.

Fonte do texto:

TRAMA VIRTUAL

http://tramavirtual.uol.com.br/samba_de_coco_raizes_de_arcoverde

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

CORES, OS SONS E OS MOVIMENTOS DO BOI DE REIS DO RN

Imagem: Lenilton Lima
Texto: Yuno Silva (Tribuna do Norte)

Vídeo foi gravado no 5º Festival de Reis de Zabelê/PB
As cores, os sons e os movimentos do Boi de Reis ainda estão vivos na memória dos norte-rio-grandenses, sejam eles brincantes, espectadores ou ouvintes dos pais e avós contadores de história. Algumas comunidades no estado ainda têm o privilégio de contar com a presença deste folguedo, como no caso de São Gonçalo do Amarante, que tem o Boi Calemba Pintadinho ativo há mais de 100 anos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

5º ENCONTRO DE REIS DE ZABELÊ/PB






ZABELÊ É UMA CIDADE PEQUENA EM NUMERO DE HABITANTES

E GRANDE EM EXEMPLO PARA O BRASIL

fotos: Leniltn Lima
Cortejo pelas ruas de Zabelê

O 5º Encontro de Reis de Zabelê teve início no feriado de Reis no dia 06 de janeiro com a chegada de grupos, artistas, oficineiros e Estudiosos do folclore nordestino na cidade sede do evento. Além de grupos da Paraíba estiveram presentes representantes do Rio Grande do Norte e Pernambuco. O evento que teve inicio no dia seis se estendeu até o dia oito de janeiro com o desfile e apresentações dos grupos de Pífano, Reisado e Boi de Reis.

A cidade de Zabelê tem pouco mais de 2.100 habitantes, com uma receita de 6.019.553 e despesas 4.497.012. Segundo dados do IBGE de 2009.

Zabelê entrou na história no dia dois de outubro de 1837, quando o Padre. José Gomes Pequeno, vigário da então freguesia de Nossa Senhora dos Milagres de São João do Cariri, batizava dois rapazes na fazenda de Zabelê. Mas o então distrito de São Sebastião do Umbuzeiro só passou a receber visitas rotineiras de religiosos no ano de 1938, quando começava a surgir um pequeno povoado naquela fazenda.

O nome ZABELÊ é uma homenagem a um pássaro que era comum na região e que tinha o habito de se alimentar dos frutos caídos dos juazeiros. Infelizmente hoje não existe mais essa ave no município.  A Zabelê se encontra em fase de extinção no Brasil.

O distrito foi elevado à categoria de município com a denominação de Zabelê, pela lei estadual nº 5919, de 29-04-1994, ficando assim desmembrado de São Sebastião do Umbuzeiro.

A cidade de Zabelê tem um encantamento na sua simplicidade, seu povo acolhedor oferece uma estadia maravilhosa.

A oficina de briquedos antigos para as crianças
A viagem para O 5º Encontro de Reis de Zabelê nos mostrou o quanto precisamos crescer, nos organizar e nos unimos em torno do patrimônio material e imateria de nosso Estado, buscando assim um planejamento onde exista uma politica de valorização aos nossos mestres e brincantes.






Zabelê é uma cidade pequena em numero de habitantes e grande em exemplo para o Brasil. Quando comparamos a Natal, terra de Câmara Cascuda ou São Gonçalo do Amarante berço da cultura do Rio Grande do Norte, sentimos a necessidade de um de politicas publicas. Estamos parados no tempo, nossas fundações que já deveriam serem secretarias  não conseguem reconhecer a grandeza da importância da nossa arte e cultura.


Romero Zeferino: Sec. de Cultura
e Sandra Belê
O 5º Festival de Reis pagou cachê, deu hospedagem e alimentação aos grupos na sua maioria com mais de vinte componentes, além das atrações culturais também ministraram oficinas para gestores culturais e crianças da cidade.

No dia sete teve o Forró Pé de Serra da Banda Gente Boa, o samba de coco Raízes de Arcoverde e o DJ Til Dal no encerramento da noite de sábado.

No domingo tivemos o desfile dos grupos pelas ruas da cidade até o palco erguido no final da Praça Odilon Rodrigues Neves. O evento com a Banda de Pífano Perfumado de Monteiro/PB.

Logo em seguida iniciaram as apresentações dos folguedos com o grupo da casa, o Reisado de Zabelê, o Boi Calemba Pintadinho de São Gonçalo do Amarante/RN, o Reisado de Caraíbas/PB e o Boi de Reis do Mestre Pirralhinho de João Pessoa fazendo o encerramento do evento.



No evento tivemos a visita da secretaria de cultura de Campina Grande Eneida Agra Maracajá a do professor Emilson Ribeiro uma das maiores autoridades em cultura popular do nordeste.

Sec. de cultura de Campina Grande
prof. Eneida Agra Maracajá e o Boi Pintadinho.
Antes do evento secretaria Eneida Maracajá, fez questão de ir à fazenda Santa clara onde os grupos e artistas estavamos hospedados para fazer um convite para o Boi Calemba Pintadinho participar do festival de inverno de Campina Grande/PB.

No evento o Boi Pintadinho teve dois grandes momentos primeiro quando Secretaria de Cultura de Campina Grande relembrou a participação do Boi Calemba Pintadinho na festa de Emancipação de sua Cidade no ano de 1975. Naquela época o grupo era mestrado por Pedro Guajiru e Mestre Dedé Verissimo ainda era o birico do Boi.

Uma das melhores apresentação do Boi Pintadinho
Depois da apresentação as homenagens ficaram por conta do professor Emilson Ribeiro quando se dirigiu ao Mestre Dedé Verissimo e lhe fez dos elogios fervorosos da participação do Boi de Pintadinho, Emilson mostrou interesse em ver o Boi se apresentando na cidade de João Pessoa.

A conjuntura social em que grande parte dos grupos de tradição oral esta inserida e necessitam de ações verdadeiras que possibilitem que os mesmos continuem suas atividades de modo a serem respeitados pela comunidade local, repassando seus saberes para as novas gerações.

Mateus do Reisado
O festival de Reis que esta em sua 5º etapa é uma iniciativa da Associação Cultural de Zabelê com parceria com a Prefeitura Municipal. O Evento é patrocinado pelo Governo do Estado da Paraíba, SEBRAE/PB, Fundação João José e a prefeitura de Zabelê.

A viagem do Boi Calemba Pintadinho ao 5º Festival de Reis teve o empenho da Republica das Artes através do Ponto de Cultura BoiVivo em parceria com grupo de forró Será o Benedito e o Pedubreu.

O apoio e o compromisso com a cultura popular do IFRN através do professor Lerson Fernando (Diretor do IFREN - Cidade Alta) foi determinante na concretização desse momento de tamanha importância para a cultura nordestina. Também gostaríamos de agradecer ao motorista Demir do IFRN que nos proporcionou uma viagem tranquila e segura.



Mestre João do Boi brincando como Mateus
Não poderíamos esquecer a dedicação dos que fazem o Festival de Reis de Zabelê, seria injusto citar nomes já que fomos bem recepcionados por todos que fazem o festival.

A viagem ao sertão do Cariri foi um ensinamento para nos brincantes e agentes culturais. Fica aqui registrado nossos agradecimentos aos nos proporcionaram esse momento impar.

O intercambio entre grupos de folclore é sua fonte de revitalização já que os saberes de nossos Mestres e Brincantes são repassados através da oralidade.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O PASTORIL DO RIO GRANDE DO NORTE – PROF. DEÍFILO GURGEL

Texto: Deífilo Gurgel - Foto e Vídeo: Lenilton Lima



Pastoril Dona Joaquina
46º Festiva Nacional de Folclore-Olímpia/SP
            O Natal é para o povo nordestino um período de festas e representações dramáticas que vão do anúncio do nascimento do Menino Jesus aos Pastores, a adoração dos pastores ao Doce Infante, a adoração dos Três Reis Magos e o Massacre dos Inocentes. Dramas e representações, numa mistura de elementos pastorais, alegóricos, bailados, textos e canções, que chegaram ao Brasil pelas mãos dos colonizadores, havendo registros destes em frente aos presépios na província pernambucana no século XVI.



Para importantes estudiosos, como é o caso do paulista Mário de Andrade, os Pastoris nunca tiveram repercussão verdadeiramente nacional. Conservaram-se na sua terra de fixação primeira: o nordeste brasileiro. Se em todo o Brasil há festas para celebrar o Natal e o presépio é utilizado em todas as regiões, os pastoris e seus dramas não se estenderam para outras regiões. É também no nordeste que ele se recria e adquire características mais populares e alegres, ainda que permaneça uma brincadeira de mocinhas e pertencente ao ciclo de festejos natalinos traz como marca principal a herança recebida de avós, bisavós e todas as matriarcas da região de onde se origina o grupo.

Apresentação na festa de posse da atual
comissão de folclore Rio Grande do Norte
O Pastoril do Rio Grande do Norte guarda alguma coisa do espírito religioso que o caracterizou através dos anos. Dois cordões de pastoras, vestidas de azul e encarnado, cantam jornadas de saudação ao público, louvação ao Messias e exaltação ao próprio Pastoril. Sendo esta, aliás, a característica maior dos pastoris potiguares: o espírito de emulação entre grupos da mesma cidade, manifestado nas jornadas de desafio ao rival e, também, entre as duas cores com as quais se vestem. À frente dos cordões estão a Mestra – no cordão encarnado – e a Contramestra – no cordão azul – mediadas por uma pastora vestida de branco, azul e encarnado ou somente azul e encarnado, chamada Diana que tem a função de apaziguar os ânimos. Na realidade, o caráter religioso é cheio de teatralidade, mas é nos elementos sociais profanos que ele se enche de riso e da participação popular. O sentido mais extraordinário do folguedo é sua representação  quer sejam no cortejo, nas danças ou cantorias, despertando o riso, a alegria e a participação dos que o assistem e torcem por suas cores.

Desde os tempos mais remotos, Pastoril caiu no gosto do povo do nordeste brasileiro e no Rio Grande do Norte, notadamente em São Gonçalo do Amarante, cidade de origem do Pastoril Dona Joaquina, responde por uma importante parte de sua tradição e história, cuja história é motivo de orgulho para seus habitantes, permanentemente citada pelos maiores estudiosos de folclore como de uma autenticidade ímpar.

Participação do Pastoril Dona Joaquina
no Projeto arte no Grito na Feira do Alecrim
Essa recriação brasileira dos autos vindos da Península Ibérica, trazidos pelos portugueses durante a colonização, chegou a São Gonçalo do Amarante pelas mãos das famílias portuguesas advindas de Pernambuco e fundadoras da cidade, pelos anos de 1700, encontrando no solo fértil dessa região, força para persistir até os dias atuais. Oriundo dos dramas litúrgicos representados nas Igrejas, aos poucos se desvinculou dessa característica natalina, tornando-se o folguedo de maior aceitação popular no Município.

O Pastoril do município de São Gonçalo do Amarante tem uma história de mais de cem anos e o Pastoril Dona Joaquina retomou as atividades dessa manifestação há cerca de sete anos, após um período de “adormecimento” da brincadeira, trabalhando com as velhas mestras e com a autenticidade exigida pelo folclore objetivando recuperar a paixão pela brincadeira, totalmente formado por netas e bisnetas tanto do Pastoril Estrela do Norte (décadas de 60, 70 e 80) quanto do Pastoril Flor de Lírio (décadas de 30, 40 e 50), como forma de homenagear suas mães, avós e bisavós.



Sede da República das Artes - Alecrim em Natal/RN

Faz-se importante mencionar que em São Gonçalo do Amarante não somente persiste o Pastoril Tradicional Religioso com jornadas contam o Anúncio do Nascimento do Menino Jesus, a ida à Belém e a Adoração dos Pastores ao Doce Infante, mas também o Pastoril Profano com suas brincadeiras e canções apimentadas. Este último, no entanto, diferencia-se da versão pernambucana do auto porque, apesar das da eturpações, da inclusão de música e textos profanos, nunca chegou a incorporar a licenciosidade, a imodéstia dos trajes, gestos e costumes que caracterizam o Pastoril popular de Pernambuco.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

PASTORIL: A BELEZA E LEVEZA DE UM AUTO BRASILEIRO

Texto: Lenilton Lima e Séphora Bezerra - 02/01/2011



fotos e video: Lenilton Lima
          O Pastoril é um auto que tem origem na Lapinha, com raízes dos dramas litúrgicos representados inicialmente nas Igrejas Portuguesas e de características puramente religiosas; é um bailado que integra o ciclo das festas natalinas do Nordeste, teve início na Idade Média e era clássico em Portugal onde recebia a denominação de Auto do Presépio. Tinha, contudo, um sentido apologético, de ensino e defesa da verdade religiosa e da encarnação da divindade.


Pastoril Dona Joaquina Santa Cruz/RN
Segundo os estudos de Mário de Andrade, celebrar Noites de Festa (refere-se aqui as festividades do Natal) é um verdadeiro tempo de "brinquedos" das danças dramáticas iniciada com a representação do Pastoril da Noite de Festa do Natal e terminada com a celebração dos Caboclinhos no Carnaval.







Historicamente as representações natalícias do Pastoril e seus dramas chegaram ao Brasil pelas mãos dos jesuítas e registros apontam que no Século XVI lá na Província de Pernambuco como local que primeiro apresentou essa manifestação com as dramatizações natalinas, depois apareceram no Século XIX registros de Bailes Pastoris na Bahia e no restante do nordeste brasileiro.

            Outra observação feita por Mário de Andrade é que os Pastoris nunca tiveram uma evolução nacional, permaneceram nas suas terras de origem: o nordeste brasileiro. Para ele "se o presépio é usança nacional, o Pastoril não se estendeu para o centro-sul do País" (pag.350, Danças Dramáticas do Brasil).



Ensaio do Pastoril no Salão Paroquial
             No Brasil o auto mantém a tradição portuguesa e permanece se apresentando apenas nas igrejas para anunciar a chegada do menino Jesus. Continua fazendo parte dos festejos de Reis que retrata as andanças dos Três Reis Magos do Oriente na entrega dos presentes ao menino Jesus que tem inicio no dia 24 de dezembro e se estendo até o dia de 06 de janeiro.






A teatralidade é a grande característica do Pastoril religioso, porém são os elementos sociais profanos que vão pouco a pouco tomando importância desmesurada, que destrói a finalidade religiosa primitiva do teatro e que nos faz rir. Na realidade é por sua beleza que cai nas graças populares, sai dos pátios das igrejas e ao fazer rir, cai na profanidade e ganha característica próprias brasileiras.



Apresetação no 46º FEFOL - Olímpia/SP
Enquanto na Lapinha é composta por meninas moças com vestes comportadas e uma única presença masculina que é a do pastor, o Pastoril vem com um figurino mais ousado, com saias acima do joelho e um palhaço que faz gestos maliciosos com sua macaxeira (bengala), canta e faz loas (poesias comum aos autos brasileiros) com segundas intenções.





Estudiosos do pastoril apontam o final do século XIX como à passagem do Pastoril religioso para o Pastoril profano, momento em que os antigos presépios, lapinhas e pastoris sagrados tiveram que conviver com esse bailado profano.

Entretanto, o surgimento dessa característica mais popular não implicou a eliminação dos autos natalinos, sendo estes encontrados ainda em sua forma sagrada em alguns estados brasileiros da região nordeste ou brincados somente durante o ciclo natalino.

O bailado em sua forma religiosa ou profana apresenta dois cordões de pastoras que se vestem de azul e encarnado (vermelho) e entre os dois cordões está a Diana que é a mediadora das rivalidades existentes nos cordões de pastoras. As cores, segundo Mário de Andrade representam a luta entre cristãos e mouros, e ainda, a Virgem Maria e Nosso Senhor.




Palhaço Chapoleta


 Segundo relatos das mestras de Pastoril de Caraúbas em Maxaranguape/RN, o palhaço entrava em cena depois da quarta musica e com a chegada dele, a brincadeira ganha à irreverência do humor malicioso do Veio (nome do palhaço).

Nas décadas passadas, o Pastoril de Contradanças era motivo de disputas: os rapazes escolhiam seus cordões e competiam financiando suas pastoras preferidas para dançarem para seu agrado. Nessas disputas alguns homens gastavam o dinheiro da feira e os mais ricos até seus bens mais valiosos, essas competições algumas vezes acabavam em brigas e até em morte. Devido às muitas confusões hoje não se faz mais o Pastoril de Contradanças.







Os Pastoris junto com os Bois de Reis são considerados os mais populares espetáculos no nordeste brasileiro. No Rio Grande do Norte durante muitas décadas junto aos grupos de Bois de Reis foram as principais atrações das festas.

Em alguns municípios do Rio Grande do Norte, os Pastoris estão ativos sejam em suas representações de cunho religioso ou profano. Podemos encontrar essa brincadeira nos municípios de Natal (Praia de Ponta Negra e Bairro do Bom Pastor), São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim, Maxaranguape, Pedro Velho, Nísia Floresta, Tibau do Sul, São Paulo do Potengi e em Parnamirim (Praia de Pirangi), entre outros, alternando-se em fases de apogeu e de declínio.



Aprentação Festival de Folclore Olímpia/SP
Mas, é em São Gonçalo do Amarante, uma “Terra de Brincantes”, que o Pastoril ganhou forças ao longo dos anos, pois o solo fértil da região avolumou o que foi trazido pelas mãos das famílias portuguesas advindas de Pernambuco que fundaram o município. A paixão pelo auto, mesmo depois da “crise” proporcionada com a chegada da televisão ainda na década de 60, se estende até os dias de hoje. E momento em que alguns acreditavam no fim da brincadeira de mocinhas jamais foi esquecida.  O maior exemplo disso é o Pastoril Dona Joaquina, de são Gonçalo do Amarante.



Em São Gonçalo do Amarante/RN tanto o Boi de Reis quanto o Pastoril são manifestações tão antiga quanto sua história do município, não sabemos ao certo a data de origem porque os relatos são recordações das memória dos mais antigos e alguns documentos - cadernos - de gente que amava e que cuidava para que não fossem esquecidos.





A beleza das pastoras e irreverência do palhaço

O Pastoril Dona Joaquina é composto por jovens de 13 a 23 anos, netas e bisnetas das integrantes do tradicional Pastoril Estrela do Norte, de São Gonçalo do Amarante e jovens músicos que formam a orquestra do grupo. As pastorinhas, meninas filhas de tradições, as mais genuínas de São Gonçalo do Amarante, trabalham e se dedicam ao folclore do município e do Estado do Rio Grande do Norte.

          
 





Os jovens músicos que acompanham o Pastoril Dona Joaquina também merecem destaque por onde passam, pois, muitos deles dedicam e se aprofundam para conhecer a sabedoria dos velhos mestres e assim preservar as músicas de nossos ancestrais e os saberes que vieram de fora.



Coordenado pela professora Séphora Bezerra que se orgulha de parte do grupo, as mais velhas, já estarem na universidade ou se preparando para entrar na academia. A diretoria do grupo é formada pelas mães das meninas e antigas mestras da brincadeira.



O Grupo tem em seu elenco as netas das antigas brincantes e apaixonadas (os) pelo auto, fazendo do Pastoril Dona Joaquina umas das referencias da cultura popular de nosso Estado.


Folclore do RN homenageado no
47º Festival Nacional de Folclore de Olímpia/SP

No ano de 2011 e foi responsável por uma homenagem ao Rio Grande do Norte no 47º Festival Nacional de Olímpia/SP, evento que além do Pastoril Dona Joaquina contou com a presença de alguns grupos potiguares e palestrantes e que elevou a imagem do nosso Estado divulgando nosso folclore e toda sua plenitude.










O folclore e os saberes populares ganham força cada vez que nos emocionamos com essas manifestações que transmitem através dos anos uma extraordinária maneira de viver pelas jornadas apresentadas e em seus jogos cênicos, quer sejam os Bois de Reis ou Pastoris. O grande destaque sempre será à força de suas cores, a harmonia dos brincantes, a graça de um palhaço, a certeza de que viverão para sempre.