quinta-feira, 14 de outubro de 2010

LANÇAMENTO DO LIVRO

Folclore e Cultura Popular
nas Práticas Pedagógicas



        Nesta sexta-feira na área verde do SESC na Cidade Alta O professor Severino Vicente lança o livro “Folclore e Cultura Popular nas práticas pedagógicas”. Este seu trabalho de atualização dos conhecimentos do folclore e da cultura popular frente ao mundo globalizado, essa iniciativa tem como objetivo de resguardar a nossa diversidade.

Severino Vicente é graduado pela UFRN estando atualmente como Presidente da Comissão de Folclore do Rio Grande do Norte, também é conselheiro da Comissão de Folclore Nacional, Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte entre outros cargos que assume.

Esse livro leva em consideração a carta do folclore brasileiro, no que recomenda a UNESCO, mostrando as expressões vivas do provo brasileiros, através da dança, da musica, da poética, da lúdica infantil, do teatro popular, das celebrações cíclicas e suas motivações, cujas criações são obras de nossa mestiçagem.

Existe uma tendência entre os nossos estudiosos de dar importância diferenciada às documentações e preservação aos nossos costumes. Preservando nossa identidade, informando e formando juízos de valores em harmonia com a comunidade escolar.




Severino Vicente



                       Local: Área verde do SESC
Cidade Alta – Natal/RN
Dia 15 de Outubro de 2010
às 20 horas.
CONTATO: 3232-5341



terça-feira, 5 de outubro de 2010

OS CANELAS DE FERRO SE ARMAM DE ESPADAS PARA BRINCAR....

Texto e Fotos: Lenilton Lima
Mestre Elpídio foi o ultimo dos brincantes dos palanques
do Prefeito Djalma Maranhão a nos deixar.
Quem conheceu o Mestre do Boi Calemba Elpídio Alexandre da Silva, nascido em São Pedro do Potengi em 1926 se recorda do orgulho que ele tinha de ser um caboclo Canela de Ferro.
Os Canelas de ferro segundo relato dos moradores mais antigos de Santana do Matos vieram de uma família de vaqueiros do fazendeiro Zumba do Timbó de Ceará Mirim que provavelmente se deslocaram até o sertão levando gado do fazendeiro para aquela região e lá fizeram moradia.
Mas essa versão era contestada por Mestre Elpídio que afirmava que os Canelas de Ferro foram os primeiros moradores de Santana do Matos. "Os vaqueiros só fizeram o caminho de volta a sua terra natal" afirma Mestre Elpídio.
Os Canelas eram conhecidos por seu temperamento forte e de determinação. E este inquietamento lhes trazia problemas e as brigas se  tornavam comuns.
Acredito que é dai que parte da família se desloca para São Pedro do Potengi e montam morada onde hoje é a comunidade de Camaragibe e onde estão até hoje.
Os Canelas de Ferro como são conhecidos, se espalham pelo Rio Grande do Norte e pelo imenso Brasil e isso era orgulho para nosso mestre.
Mestre Elpídio relembra contando nos dedos das mãos os mestres de sua família. Sempre começava pelo seu primo e cunhado e seu ex-mestre Mané Curto, depois seu Contra Mestre Juarez que era filho de Mané Curto, Luiz Targino e segue com seus primos de Camaragibe. Seis ao todo. Um dos assuntos sempre em pauta nas conversas com o mestre era a o sangue quente de sua família. Quando queria fazer... fazia.
Sem incentivo das políticas públicas o mestre aos 81 anos no ano de 2007 investe na defesa do Boi Calemba.
Mestre Elpídio era encontrado constantemente com sua pasta de documentos, entre os documentos uma reportagem de um jornal de Parnamirim e um cadastro da capitania das artes atestando que o Boi Calemba era de Natal.
Terminou se destacando a nível nacional ganhando o prêmio de culturas populares “Humberto de Maracanã” quando na ocasião foi o único Mestre Potiguar contemplado em 2007. Também recebeu uma homenagem da Prefeitura de Parnamirim, ganhou o prêmio Cornélio Campina e conseguiu restaurar seu boi, deixando o maior acervo do boi Calemba do Rio Grande do Norte com ornamentos, dois figurinos, dois Bois, um Jaraguá, uma Mariquinha, um Bode e vinte e uma Mascaras.
A luta de Mestre Elpídio pela cultura do boi de reis foi até seus últimos dias de vida.
No hospital com câncer e um tumor cerebral o Mestre pede a seu filho Carlos Alexandre da silva para tomar conta do boi.
Carlinhos como é conhecido, não ocupava posição de destaque no grupo. Não cantava e sua função do boi era de arrumar as figuras e preparar o cenário para a brincadeira. Quando faltava um galante ele entrava. Era mais para complementar a maruja.
Depois da morte do mestre se passaram longos meses de conversa com Carlinhos que não se acostumava com a ausência do pai e nem da falta de solidariedade com o pai por parte do poder público nos seus últimos momentos de vida. Isso lhes desestimulava a cumprir a sua jura ao pai.
Os inícios dos trabalhos eram sempre adiados.
Essa atitude de Carlos era preocupante, pois o Ponto de Cultura Boivivo e Ponto de Cultura Ileaô tinham objetivos comuns que eram em trabalhar com mestre Elpídio, com sua partida as ações se estacionam já que Carlinhos não se sentia preparado pra voltar.
Uma nova investida foi feita pra restaurar o Boi de Mestre Elpídio agora era firmado uma parceria entre os Pontos de Cultura e novamente Carlinhos é procurado.
Dessa vez Carlos se compromete em arranjar os meninos da maruja e visinhos. E assim iniciam-se os ensaios no Centro Pastoral da Igreja Católica de Parnamirim.
            Iniciamos as oficinas só com dança e música sem os tocadores, depois Damião Rabequeiro e o Panderista Fuscão Preto vem pra se juntar ao grupo.
Na terceira aula marcamos para mostrar um vídeo de Mestre Elpídio surpreendentemente Carlos e toda a família vem assistir. Pela primeira vez a meninada tinha público de mais de 20 pessoas. Nesse dia Carlinhos participa do ensaio e hoje é o grande motivador nos ensaios do grupo.
 O ensaio do boi se consolida, e a promessa do seu filho ao mestre esta sendo comprida.
A maruja esta sendo renovada, mas sem tirar o lugar dos mais antigos.
Em oito aulas os meninos que antes nem dançavam e nem cantavam surpreendem fazendo ensaios à noite sem os oficineiros Mestre Dedé Veríssimo e Kleber Teixeira.
Todo ensaio se torna em uma grande festa, as crianças que são maioria no ensaio dão o tom a alegria se tornando o entretenimento cantando as músicas e bailes do Boi Calemba do Mestre Elpídio.
Com uma média de 12 alunos por aulas, alguns já começam a se destacar por sua motivação ou habilidade em aprender.
Hoje Carlos se prepara para futuramente assumir a maruja do seu pai e substituí-lo no posto de mestre. A liderança já é notada nas ações que vem realizado no objetivo de restaurar o Boi Calemba.
Hoje a luta do Canela Carlos Alexandre é para consolidar o Boi Calemba do Mestre Elpídio como um dos bois de maior importância no cenário da cultural popular Brasileira. Levando o nome do Estado do Rio Grande do Norte a outras regiões do país realizado assim mais um sonho do Caboclo Canela de Ferro, Elpídio Alexandre da Silva. 

Agradecimentos especiais ao Mestre Dedé Verissímo, Kleber Teixeira, Damião Rabequeiro, Helinton, a Dona Maria e Adriana L. da Silva pelo empenho e apoio nesse trabalho e ao inesquecível Mestre Elpídio (in memorian).



GALERIA DE FOTOS

Uma nova geração...

Carlinhos, Filho de
Mestre Elpídio
Cauã  de  três anos um dos netos
mais novos de Mestre Elpídio

Carlos Alexandre,
Carlinhos, Andriel e Cauã
 


Luciano, Filho de
Mestre Elpídio
Ensaio Enfeitado
Cauã neto de Mestre Eulpídio