quarta-feira, 1 de julho de 2015

BOI LAVRADADINHO DO MESTRE AUGUSTO ELISÁRIO



Mestre Augusto Elisário de 65 anos
Nos do Ponto de Cultura BoiVivo, que desde o ano de 1997 pesquisamos a cultura do Boi de Reis potiguar, em nossas visitas aos Mestre e Brincantes ainda nos surpreendendo com a grandeza da arte e cultura do Rio Grande do Norte, em visita a Apodi, no dia 29 de junho, nos tivemos  a grata surpresa de conhecer Mestre Augusto Elisário de 65 anos, que é discípulo do Mestre João Marins, também nascido e criado em Apodi.
O que mais nos impressionou é que esse grupo de Boi de Reis é totalmente diferente dos Bois que já conhecemos, nem em nossas andanças pelo Brasil vimos nada semelhante. Apesar de o grupo brincar no toque de rabeca, pandeiro e triangulo e ter apenas homens na brincadeira como o Boi tradicional, todas as musicas são diferentes dos demais grupos de bois, o primeiro Caboclo e Segundo Caboclo, tem funções parecidas com o do Mestre e Mateus, mas em uma dramaturgia totalmente diferente, o grupo não tem galantes e nem damas e sim caretas.
Em uma tentativa de modernizar sua brincadeira, Mestre Augusto mudou os nomes e até o figurino. Quando ele nos explicava como era o nome dos personagens que comandam a brincadeira, sem querer falou o nome do personagem original, depois ficou fácil de chegar ao figurino e adereços.
Quando o Mestre João Marins, entregou o grupo ao Mestre Augusto no ano de 1970, o grupo era comandado por dois caboclos e usava um figurino feito de palha de carnaúba que cobria quase o corpo todo e no roto uma mascara de papelão. As viagens diminuíram, o grupo diminuiu suas atividades, então Mestre Augusto mudou o nome dos caboclos para Maestros e vestiu seus brincantes de paletó. Mesmo modernizando seu grupo não teve apoio da atual gestão da prefeitura de Apodi e segundo ele caiu no esquecimento do governante.
O grupo também tem nome diferente, chama-se de Boi Lavradadinho, os personagens são: Primeiro caboclo, Segundo caboclos tem de cinco a doze mascarados, Boi, Burra, Pinta e a moça do forró.

Tendo em vista a importância desse alto, que provavelmente faz parte da cultura indígena potiguar, nos da Associação República das Artes/BoiVivo estamos fazendo uma parceria com Lucia Tavares do Cento Histórico – Cultura Tapuias Paiacus de Apodi e Jussara Galhardo do Grupo PARAUPABA, para reviver esse patrimônio da Cultura Brasileira.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

RESTAURAÇÃO DO ACERVO DO BOI DE CALEMBA DO MESTRE ELPÍDIO

Cabeça da Burrinha do Gigante
O Ponto de Cultura BoiVivo é inspirado na vivencia de Mestre Elpídio, estando em atividade desde o ano de 2007 e tendo se oficializado como Ponto de Cultura no ano de 2008. Desde então pesquisamos as andanças, personagens, figurino e adereços do Boi de Reis do Rio Grande do Norte.
Com Elpídio aprendemos a técnica de confecção das mascara das figuras do Boi de Reis do Rio Grande do Norte. O Incentivamos e financiamos ao Mestre a confeccionar as mascara das figuras do Boi de Reis, como também a construção de um novo boi e de um bode. Nesse mesmo tempo inscrevemos o Mestre em dois editais no qual foi contemplado, o primeiro foi o prêmio Humberto de Maracanã do MinC, o mestre recebeu em vida o valor de 10 mil reais e o Cornélio campina pago a família após sua morte, o valor de 6 mil reais.
Infelizmente o Mestre faleceu em janeiro de 2010, depois de sua morte tudo parou, o ponto de cultura ainda fez varias tentativas de reviver o grupo, mas infelizmente, não tivemos êxito.
Nesse mês de outubro, o Ponto de Cultura BoiVivo foi procurado pelos dois filhos de Mestre Elpídio, Carlos e José, o motivo era a situação precária em que se encontrava o figurino, adereços e personagens do acervo deixado pelo Mestre. Uma praga de ratos danificou gravemente esse tão valioso patrimônio potiguar, das 21 mascaras dos personagens apenas quatro escaparam e mesmo assim danificadas.
Assim que tivermos autorização de pegar o acervo deixado por Elpídio, começamos o trabalho de restauração, as peças em madeira que chegaram corroídas por cupim já foram dedetizadas e as mascaras de papelão vamos usar a mesma técnica que o mestre nos ensinou para reforma.
Os personagens maiores como boi, bode, Jaraguá e mariquinha provavelmente teremos que mudar as madeiras, mas o tecido que esta com grandes buracos feitos pelos ratos vamos apenas lavar e procurar alguém que restaure, já que nele existe uma pintura feita pelo próprio Mestre.
O objetivo do Ponto de Cultura BoiVivo é restaurar e fazer uma exposição na sede do Ponto de Cultura BoiVivo/Pastoril Dona Joaquim em São Gonçalo do Amarante no mês de Janeiro, esperamos que nesses dois meses sejam tempo suficiente para restaurar o estrago feito pelos ratos, pela umidade e pelo tempo.
Com ajuda dos vídeos que gravamos com Mestre Elpídio nos do ponto de Cultura BoiVivo vamos identificar e contar a historia de todos os personagens.
O Boi de Mestre Elpídio foi fundado em Natal no Bairro de Morro Branco no ano de 1949, Na época que foi fundado tinha o nome de Boi Pintadinho e por sugestão do Ex-prefeito Djalma Maranhão teve o nome mudado para Boi Calemba que permanece até hoje.












sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

VALORIZANDO A DIVERSIDADE DA CULTURA POTIGUAR

Mascarados do Boi Calemba de Mestre Elpídio no dia 24 de dezembro de 2007.

O Rio Grande do Norte tem uma rica diversidade cultural, e nos potiguares não precisamos copiar as riquezas culturais de outros estados para nos homenagear. Digo isso me embasando nas fotos veiculadas nas mídias sociais.

Ficou comum ver em nossas peças de teatro, altos e grupos para-folclore os atores, atrizes, bailarinos e bailarinas caracterizados de personagens de outro estado como se fossem os nossos.
Na maioria dos grupos de Boi de Reis do Rio Grande do Norte os nossos Mateus, Biricos e Catarinas pintam os rotos de preto, a tinta inicialmente era extraída da parte externa das panelas que cozinhavam nos fogões de lenha, candeeiro, pó de carvão misturado ao óleo de comida e recentemente alguns grupos aderiram ao panqueque preto.

Os nossos mascarados não tem contornos nos olhos e boca, em alguns grupos o Birico usa uma mascara de couro de bode e a Catirina que em alguns grupos recebe o nome de Rosa e Nanã pode usa uma forte maquiagem vermelha nas bochechas do rosto. Já os galantes usam palas encarnadas com fitas nas cores branca, vermelha, azul, verde e amarela.

Na opinião do Ponto de Cultura BoiVivo o nosso estado é um dos ricos, no que diz respeito diversidade cultural, temos característica própria e o que nos falta é pesquisa.


Vamos conhecer mais o nosso Rio Grande do Norte e divulgando as nossas riquezas culturais através das nossas produções artísticas e culturais.