quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O RECOMEÇO DO BOI CALEMBA E A PARTIDA DE MESTRE ELPÍDIO

Mestre Elpídio e o Contra Mestre Juares Pessoa de Melo, filho do Mestre Mané Curto.


Foi no ano de 2007, que nos da República das Artes fomos procurados por Alexandre Elpídio da Silva.

O Mestre de Boi de Reis saiu de casa na Rua Rio Grande do Norte em Santos Reis na Cidade de Parnamirim com uma pasta surrada pelo tempo, mas que nela tinha um documento que ele guardava com muito carinho, o papel estava assinado por um antigo funcionário da prefeitura do Natal, que atestava que o Boi Calemba tinha sido fundado em Natal nos anos 40, na pasta ainda tinha um recorte de jornal com a foto do prefeito Djalma Maranhão e um jornal de Parnamirim falando sobre ele e o seu Boi de Reis.

O Mestre e seu assistente Manoel Morozoia nos encontraram por indicação de uma funcionaria da Capitania das artes que lhes deu uma pequena contribuição para revitalizar o Boi e indicou Katia Dantas para fazer as mascaras e os figurinos.

O figurino do Boi era antigo e descaracterizado. Desde que o Ex-prefeito de Natal Djalma Maranhão foi cassado nos anos 60 o grupo não tinha tido apoio e sofria um desgaste natural do tempo, o que não tinha se acabado estava descaracterizado. Tinha que se fazer quase tudo novo.

Depois de longas conversas com o Mestre o nosso grupo resolveu ajuda-lo.

Logo fizemos uma campanha para comprar o figurino e fazer as figuras. Enviamos ofícios para as Prefeituras de Natal, Parnamirim e sindicatos.

Nesse mesmo ano tivemos o apoio do SINAI e SINDSAÙDE. O dinheiro arrecadado o Mestre utilizou inteligentemente para fazer algumas apresentações e divulgar a existência de seu Boi Calemba.

Em 2008 o Mestre foi homenageado no DART no projeto de encenação do curso de artes pelo ainda estudante de João Lins, na ocasião teve a coroação simbólica onde o Mestre recebeu um figurino produzido pela equipe do aluno e fez parte da apresentação.

Dois anos depois saiu da prefeitura de Parnamirim, a tão esperada contribuição para confeccionar o figurino, o apoio só veio em apenas 20% do orçamento enviado por oficio. Com esse dinheiro o Mestre iniciou o processo de originalidade do figurino e a República das Artes contribuiu com a verba e incentivo na confecção das mascaras.

O Boi Calemba nunca ficou como Mestre Elpídio sonhava em ver seu Boi de Reis, mas voltou a brilhar nos eventos, ruas e praças de Natal e Parnamirim.

Mestre Elpídio foi um dos vencedores do Prêmio do Ministério da Cultura, Prêmio Humberto de Maracanã de Culturas Populares, Prêmio Cornélio Campina da Fundação José Augusto e ainda em vida foi homenageado com uma placa no ano de 2009 pela Prefeitura Parnamirim.

Mestre Elpídio nos deixou para sempre no início da tarde de uma quarta-feira, do dia 10 de fevereiro de 2010. Morria Elpídio Alexandre da Silva, de 82 anos, vítima de parada cardíaca, em consequência de um tumor cerebral.

Com ele também partia saberes ainda não repassados.

Reunião com a diretoria. SINAI  e SINDSAÚDE contribuíram  com a revitalização do
Boi Calemba do Mestre Elpídio em 2008

Gláucio Teixeira da Birico ao lado de Mestre Elpídio na homenagem no DEART-UFRN

Aboio para chamar o público antes da brincadeira

Luciano filho de Mestre Elpídio.

Vicente Mateus do Boi Calemba.

Mestre Elpídio e Manoel Mozoia.

Mestre Elpídio, Mariquinha a mulher do Jaraguá,  Jeize e Juarez.

Mestre Elpídio guardando o Boi sobre os olhares de todos os santos.

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